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  • CRÔNICA - MAURICIO DE SOUSA

  • A Escolha da rosa

    Um campo florido. Perfumado. Iluminado por um sol agradável de fim de tarde e bafejado por uma leve brisa.

    Ali, ao nosso alcance, as rosas.

    Oferecendo-se para serem admiradas na sua beleza, na elegância, pureza de formas e fragrância.

    Há um impulso natural de colhê-las, tomá-las à mão, sentir o aveludado de suas pétalas, seu frescor, sorver seu perfume.

    Mas há mais de uma rosa.

    Há aquela tinta de vermelho puro, desdobrando pétalas vivas como o sangue, exalando aroma embriagador. Há outra, próxima, com os tons amarelados e alaranjados de um sol no poente, igualmente perfumada, pedindo olhares e carinho. E há outras, ao longe, lindas, mas com detalhes perdidos na distância.

    Deixá-las compondo um quadro natural? E partirmos levando a imagem e a saudade?

    Ou tomá-las nas mãos, sentindo que, pelo menos por momentos da vida, comporão conosco um novo desenho, sensações em simbiose?

    E qual delas caberia nas mãos, no olhar mais carinhoso, no coração e na lembrança?

    A forte e rubra? Ou a delicada, cor do sol? Ou outra, no caminho, que nos resolvesse a dúvida... ou a aumentasse?

    Mas por que surgem momentos de dúvida sobre colhê-las ou não?

    Fazem parte do nosso mundo. Podem nos dar momentos de embevecimento, de poesia, de interação total com a natureza...

    Somos criaturas tornadas vivas e sensíveis por um mesmo escultor genial e único. Que nos inunda de possibilidades de admiração e escolha. E nos deixa com o ônus da opção...

    Que flor?

    Ou um ramalhete, um buquê?

    Mas no amarfanhado de um buquê, a flor perderá sua individualidade, seus traços únicos. Fará parte de um outro desenho onde você não a encontrará mais para a admiração particular.

    E voltamos à dúvida.

    Se vamos colhê-la... qual delas?

    Que cor, que desenho, que fragrância nos deliciará e comporá um momento mágico de amor eterno?

    Sem nos esquecermos de que, no caminho que nos leva até a rosa, há espinhos. Que exigem cuidados.

    E que a rosa, enquanto desabrocha para sua breve explosão de beleza total, exige, também, atenções, carinho.

    Temos como protegê-las?... Acompanhá-las no desabrochar?... Merecemos essa dádiva da natureza?

    Se temos consciência e sensibilidade para responder a essas questões, estendamos a mão e tomemos a rosa mais atraente aos nossos sentidos...

    Os campos floridos assistirão, durante um breve tempo da vida na terra, a passagem de um homem apaixonado segurando uma rosa. Sua rosa.

     

     Mauricio de Sousa

    13 de janeiro de 2000

     

     

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