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Sexta-Feira, 19 de Dezembro de 2014

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E a montanha pariu um rato

 

GÊ MORAES

Naturalmente o querido leitor já deve ter ouvido ou lido a expressão “parto da montanha” e, tem pleno conhecimento do seu significado, mas como sempre haverá alguém que a desconheça, por fazer parte do time da maioria dos brasileiros que alegam falta de tempo para ouvir e para ler, a esse muito me apraz poder concorrer com uma pequena parcela do meu saber, em prol do seu aprendizado.

O “parto da montanha” ocorre sempre que um acontecimento, cercado de grande expectativa, resulta em algo ridículo, que em nada se parece com o esperado. A locução se fez popular graças aos fabulistas Fedro, em “Mons Parturiens”, e La Fontaine, que a retomou, em “La Montagne qui Accouche”, onde se lê “Uma montanha em trabalho de parto, fazia tão grande escarcéu, que todos, acudindo ao alarido, supunham que daria à luz, com certeza, uma cidade maior que Paris: Ela deu à luz um rato”.

A propósito, conta-se o seguinte: ao tempo em que um renomado e bem intencionado cardiologista respondia pelo Ministério da Saúde, no Governo de certo tucano, eis que a montanha ficou grávida de um imposto, cujo montante seria injetado nas artérias da Saúde, que andava a dar visíveis sinais de debilidade.

E a cada dia que passava, o médico do coração sentia que o seu pulsava forte, de modo a querer saltar do peito, de tanta expectação. E finalmente, o parto aconteceu. A montanha deu à luz o belo e formoso imposto. E o tempo foi passando, e o povo todo pagando. Era dinheiro que não acabava mais! E os olhos do Governo mudaram de direção... E a Saúde saiu do foco.

E o cardiologista sonhador e idealista? Bem, esse aquietou no peito o coração, e após exclamar: “E a montanha pariu um rato!”, pegou seu boné e deu no pé, levando consigo o sabor nada agradável da deslealdade sob a capa da amizade, e também para não correr o risco de ser contaminado pela bactéria Leptospira interrogans, transmitida pelo xixi do ratão parido pela montanha. O médico idealista já se foi, mas deixou para todos nós uma verdade, a qual não poderá ser refutada por quem quer que seja. E a verdade é esta: Valores vão para o cofre, as flores vão para o jarro; o boi na verdade sofre, mas quem geme é sempre o carro.

Gê Moraes é cronista

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